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Os Vermifiltros so, basicamente, um filtro biolgico aerbio, formado por uma camada superior de substrato contendo uma populao de minhocas detritvoras da espcie Eisenia sp para o tratamento de esgoto domstico, por meio do processo denominado vermifiltrao. O primeiro trabalho publicado ocorreu em meados da dcada de 1990, sendo conduzido por pesquisadores da Universidade do Chile (MADRID, 2016; SUGIMOTO, 2016).


Analisando as potencialidades e vantagens acerca desse sistema de tratamento, constata-se que, dentre as opes existentes at o momento, o processo de vermifiltrao surge como uma alternativa de tratamento natural e operacional com grande eficincia econmica no tratamento de esgoto, apresentando um desempenho equivalente na remoo dos poluentes em relao ao tratamento convencional, porm a um custo menor por conta da maior simplicidade na instalao e na manuteno, uma vez que ele funciona como um filtro aerbio que no gera lodo e no requer uso de energia, pois as minhocas ingerem todas as partculas suspensas presente no filtro e h uma aerao natural atravs de uma tcnica denominada ?burrowing action?, ou seja, os tneis que as minhocas fazem para se locomover facilitam a circulao de ar em todas as camadas do substrato (SINGH; BHUNIA; DASH, 2017; SUGIMOTO, 2016).



Segundo Kumar et al. (2014), as minhocas consomem a matria orgnica e os slidos presentes no esgoto degradando-os e transformando em vermicomposto, o qual pode usado como adubo orgnico por conta da concentrao ideal de nitrognio e fsforo presente, contudo os autores enfatizam que o efluente produzido ao fim do tratamento possua maior concentrao de nitrognio e fsforo, necessitando de materiais adsorventes para remover essas substncias.


O processo de vermifiltrao tem dois grandes componentes centrais que auxiliam na remoo de poluentes: o substrato empregado e as minhocas. O substrato alm de ser uma fonte de alimento para as minhocas, proporciona um ambiente favorvel para o crescimento e a reproduo de microrganismos (ZHAO et al., 2010).


As minhocas ingerem as partculas de solo e de poluentes, que foram inseridos pelas guas residurias. Os materiais consumidos recebem muco, enzimas e clcio pela faringe e papo, e so triturados alterando suas propriedades fsicas, qumicas e biolgicas; ao serem excretados contribuem para a melhoria das atividades microbianas do substrato (SINGH; BHUNIA; DASH, 2017; SUGIMOTO, 2016).


Segundo Sinha, Bharambe e Chaudhari (2008), o prprio corpo das minhocas funciona como um biofiltro, podendo remover entre 90 a 92 dos slidos dissolvidos totais, 90 a 95 de slidos totais em suspenso, 90 da DBO5,20 e de 80 a 90 da DQO, apenas pelo processo de digesto, alm de suportarem ambientes com intervalos de pH de 4 a 9 (SINHA; BHARAMBE; CHAUDHARI, 2008).


Em relao ao substrato presente no leito filtrante, abaixo da camada de solo, os mais usuais so brita, areia e materiais adsorventes.


Como material adsorvente, o carvo ativado utilizado em grande escala para a purificao da gua. O primeiro registro do uso desse material com a finalidade de tratar guas foi encontrado em meados dos anos de 1910 para remoo de cloro em Reading, Inglaterra (DONATI et al., 1994; MASSCHELEIN, 1992).


Outro material que pode ser empregado como adsorventes, sobretudo, na remoo de nitrognio e fsforo, a cinza de carvo. Trata-se de um resduo inorgnico produzido pela queima do carvo, caracterizado como relativamente grosseiro e com partculas de 0,1 a 10 milmetros; possui em sua composio ferro, clcio e alumnio que constitui uma caracterstica favorvel para adsoro dos nutrientes mencionados, alm de outras substncias como magnsio, potssio, sdio, entre outros, que variam dependendo da fonte do carvo e das condies de queima a qual foi submetido (YANG et al., 2009).


O estudo realizado por Lo Monaco et al. (2009) utilizou fibras de cocos, que ficaram expostas ao sol durante trs dias para a secagem e retirada de umidade sendo, em seguida, trituradas para atingir dimetros entre 4 a 8 milmetros, sendo empregadas como materiais adsorventes para o tratamento de guas residurias de suinocultura.


No experimento de Madrid (2016) foi empregado um filtro anaerbio, para pr tratamento do efluente, composto por partes iguais em forma de concha de casca de coco verde da espcie Cocos nucifera. Essas cascas serviam como ?substrato fixador do biofilme que promovia a degradao anaerbia da matria orgnica? (MADRID, 2016).


A literatura prdiga em estudos com essa tecnologia, evidenciando o interesse que desperta, dado sua versatilidade, praticidade e eficincia, enquanto ferramenta para oferecer proteo contra poluio hdrica provocada por esgotos domsticos. Trabalho apresentado por Campos et al (2019), elenca alguns dos vrios artigos j produzidos sobre o tema.


Nesse mesmo trabalho, Campos et al (2019), opera um sistema de vermifiltro seguido de dois leitos filtrantes: um contendo argila expandida, e outro, fibra de coco, obtendo resultados satisfatrios para remoo de slidos em suspenso totais (mdia de 77%) e para matria orgnica (mdia de 81% em termos de DQO), mas baixa e insignificante eficincia na reteno de fsforo (mdia de 37%) e nitrognio (mdia de 14%), respectivamente.



Por no apresentar demandas com o manejo de lodo ou podas de macrfitas, o processo de vermifiltrao mostra-se interessante opo ao tratamento de esgoto no modelo descentralizado.

 

Para saber mais:


CAMPOS, FBIO; DE FREITAS BUENO, RODRIGO; TIEPOLE LEE, HERICA; LIKA NARISE, LARISA,

Vermifiltro: alternativa para tratamento de esgoto em sistemas descentralizados. REVISTA DAE. , v.68, p.182 - 196, 2020.

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URL: http://revistadae.com.br/artigos/artigo_edicao_227_n_1911.pdf