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O crescimento populacional insustentvel culmina na gerao de quantidade expressiva de resduos. Fato que ocorre de maneira correlata atravs do uso da gua, resultando em um resduo mido denominado efluente. Este efluente deve ser tratado e, tcnicas de desaguamento se mostram viveis, separando a fase slida da lquida. Neste estudo a tcnica de desaguamento em tubos geotxteis abordada de maneira diferenciada e indita, onde bero mvel composto por caamba roll on roll off avaliado em estudo de caso real. A tcnica operando em estao de tratamento de gua de ciclo completo com tanque de equalizao, gerando 20m de lodo diariamente. As eficincias de filtrao e desaguamento so abordadas, bem como o aumento do teor de slidos por massa da torta. Ainda, o servio ecossistmico do corpo hdrico em prover gua bruta discutido e valorao ambiental por mtodo indireto de custo de reposio abordado. Atravs da utilizao da tcnica de desaguamento em caamba especial drenante percebe-se sua efetividade na separao da fase slida da lquida, obtendo-se eficincia de filtrao maior que 90%, eficincia de desaguamento superior a 2000% e teores de slidos satisfatrios para correta destinao no aterro outorgado. Percebe-se tambm a viabilidade ambiental do uso da tcnica de desaguamento, onde o custo de sua utilizao representa menos de 6% do valor ambiental atribudo ao corpo hdrico em prover gua bruta para a estao.


1 - Introduo


Vivemos em tempos em que o crescimento econmico ocorre de maneira desenfreada (DALY, 2013). Onde o consumismo rege a vida de uma populao mundial cada vez crescente (GODECKE, 2012) e, advindo deste aumento populacional, a gerao de resduos imensa. De tantas formas, o crescimento custando a ?sade? da populao (DALY, 2013).


Perante o crescimento populacional, mais insumos so necessrios e mais resduos so gerados. Esta afirmao no poderia ser mais correta para o uso da gua, onde direta e indiretamente consumida e, mediante seu uso, acaba por gerar resduos na forma de efluentes, bastante midos e de difcil trabalhabilidade (MLLER, 2019).


Estes efluentes devem ser corretamente tratados e destinados, visto que a gua uma matria prima finita e que se tratada com leviandade pode sofrer danos irreversveis, impactando diretamente a vida humana (JOLLANDS, 2006). Impactos estes que j se veem atravs de mudanas climticas e geogrficas, resultantes do Antropoceno (SOL, 2019).


H, ento, necessidade de tratar estes efluentes atravs de tcnica de desaguamento. Procurando proporcionar a separao da fase slida da fase lquida, destinando a gua para reprocessamento e a fase slida para destinaes pertinentes (MLLER, 2019). Deste modo colaborando para um desenvolvimento sustentvel, onde o meio ambiente protegido atravs da contratao de servios que promovem a correta tratativa do lodo gerado, evitando seu descarte indevido nos corpos hdricos (JOLLANDS, 2006).


Neste trabalho a tcnica de desaguamento com tubos geotxteis, tambm denominados de Sistemas de Confinamento de Resduos (SCR) (IGSBR 004, 2014), abordada de maneira diferenciada e indita no Brasil. Onde um tubo geotxtil em bero mvel, composto por caamba roll on roll off especial drenante, discutida. O estudo aborda a operao desta tcnica e suas eficincias de filtrao e desaguamento em caso real de aplicao.


Tambm, devido a proteo dos corpos hdricos resultante do desaguamento, a tcnica em questo discutida em termos de economia ecolgica. Onde os servios ecossistmicos proporcionados por um corpo hdrico com e sem o uso da tcnica de desgue so discutidos, a valorao do corpo hdrico avaliada e a comparao da tcnica proposta com solues baseadas na natureza para mesma finalidade abordadas.


2 - Referencial terico

2.1 -Tubo geotxtil


Um sistema de confinamento de resduo (SCR) um tubo geotxtil tecido ou no tecido, com propriedades estabelecidas em funo das caractersticas do efluente que se deseja desaguar, possuindo comprimento e permetro costumveis e, assumindo formato tubular mediante seu preenchimento (CASTRO, 2005; KOERNER, 2005; PILARCZYK, 2000; TOMINAGA, 2010; VERTEMATTI, 2015). Imagem ilustrativa da tcnica apresentada na Figura 1.



FIGURA 1: Desaguamento com tubo geotxtil (HUESKER).


Um tubo geotxtil pode ser preenchido com grande variedade de materiais, como areias, resduos de minerao, lodos e outros, possuindo grande leque de aplicaes, desde desgue de resduos de estaes de tratamento, at construo de estruturas de proteo costeira, como diques e molhes (PILARCZYK, 2000).


O sucesso desta tecnologia foi proporcionado pela capacidade de reter a parte slida enquanto permite a sada da parte lquida, possuindo boa funo filtrante (MOO-YOUNG, GAFFNEY e MO, 2002).


O processo de desgue em um tubo geotxtil descontinuo e misto, ocorrendo mecanicamente por filtrao forada mediante a presso de preenchimento e, aps esta, por processo natural, desgue por peso prprio, drenagem e evaporao (MLLER, 2019).


2.2 - Histrico da disposio


Atualmente, o processo de desaguamento em tubos geotxteis vem se difundindo (LAWSON, 2008). Sua aceitao devida a seus baixos custos de instalao e operao, e aos bons resultados proporcionados atravs de seu funcionamento misto de desaguamento, superando tcnicas de desgue mecnico como centrfuga, filtro prensa, filtro de bandas, entre outros (MLLER et al., 2019).


Para o correto uso desta tcnica de desgue, bero drenante necessrio (VERTEMATTI, 2015). O bero drenante tem a funo de drenar e acumular o percolado gerado pelo processo de desaguamento, para posterior descarte segundo normas e regulamentaes ou recirculao no sistema de tratamento. Deste modo, o bero drenante uma obra civil, devendo o terreno para sua locao ser terraplanado e adensado, recebendo impermeabilizao de fundo (geralmente com geomembranas) e proteo mecnica sobre esta (geralmente geotxtil no tecido), recebendo camada de drenagem (brita 2), valas perimetrais e proteo/barramento perimetral. A Figura 2 exemplifica o bero descrito.




FIGURA 2: Bero drenante (HUESKER).


Com o bero adequado, ento, os tubos/sacos geossintticos podem ser posicionados e, com o auxlio ou no de polimerizao/floculao, receber ciclos de preenchimento e desaguamento at que seu volume total de projeto seja atingido. Uma vez o volume de projeto atingido, se necessrio, tempo de descanso proporcionado ao tubo/saco geossinttico at que este alcance o teor de slidos adequado.


Quando todas as condies de preenchimento e desaguamento so alcanadas, o tubo/saco geossinttico rompido com maquinrio (retroescavadeira ou p escavadeira), seu contedo retirado do bero e abastece caminhes para o transporte final. Uma vez o material totalmente retirado, limpeza e reconstituio do bero so efetuadas para novo tubo/saco geossinttico entrar em operao.


2.3 - Pontos deficientes do estado da tcnica


Atravs do exposto no Histrico da disposio, percebe-se que o uso de tubos geotxteis representa uma soluo vivel para o desaguamento. Porm, observa-se que: a) intervenes significativas no local para sua correta utilizao so necessrias; b) que o processo de retirada do material adensado gerado trabalhoso e causa danos ao bero; c) que ocorre empolamento do material adensado devido a movimentao e enchimento de caminhes; d) que devido ao empolamento mais viagens para disposio do material so necessrias e; e) que limpeza e readequaes so necessrias ao bero aps o processo de retirada do material adensado.


2.4 - Sumrio da disposio


Pela anlise dos pontos deficientes do estado da tcnica quanto ao uso de tubos geotxteis e considerando a maior admisso de volume mediante a restries laterais (MLLER, 2019), concebeu-se um sistema de utilidade que contempla o desaguamento com refil geotxtil em caamba especial drenante roll on roll off (INPI, BR 20 2020 009781 0).

Neste sentido, o sistema em questo pretende sanar os pontos deficientes da tcnica atravs de melhorias e adaptaes diversas, propondo um modelo de utilidade onde caamba especial drenante roll on roll off, item de logstica, e tubo/saco geossinttico, item da engenharia civil e saneamento, se unem em uma soluo melhorada, conforme exemplificado na Figura 3.



FIGURA 3: Bero drenante mvel em caamba especial roll on roll off (SALUS).


Deste modo, o sistema de desaguamento com caamba especial drenante no requer grandes espaos ou adequaes significativas para sua correta utilizao, necessitando apenas de rea pertinente para a locao das caambas. Estas fazendo a vez de bero drenante.


Com o fim dos ciclos de preenchimento e desaguamento, com os parmetros de projeto satisfeitos, basta caminho roll on roll off retirar a caamba com o refil geotxtil cheio. Sem a necessidade de maquinrio complementar, evitando o empolamento do material adensado, proporcionando facilidade mpar ao processo e ao transporte.


Ainda, devido a facilidade proporcionada, uma vez que uma caamba especial drenante retirada, nova caamba j pode ser posicionada em seu lugar, sem qualquer readequao, perpetuando o funcionamento do desaguamento.


2.5 - Desaguamento em caambas especiais drenantes


Por se tratar de um modelo de utilidade misto, abrangendo tambm transporte rodovirio de cargas, a tcnica de desaguamento em caamba especial drenante deve seguir a regulamentao da DNIT ANTT. Neste sentido a massa mxima desaguada admitida no deve ultrapassar 15 toneladas.


Devido as restries dimensionais da caamba roll on roll off, o refil geotxtil predeterminado. Este possuindo 7m de permetro e 6m de comprimento, atingindo uma altura de preenchimento mxima de 1,2m e acondicionando, quando cheio, 12m de torta adensada.


Esta tcnica de desaguamento com restries laterais apresenta, conforme demonstraram ensaios piloto de Mller (2019), a capacidade do refil de receber maior quantidade volumtrica do que se estivesse locado em bero convencional. Ainda, devido as restries laterais, o refil pode ter resistncia a trao reduzida, visto que a prpria caamba especial drenante absorve parte dos esforos solicitados.


Por fim, a caamba promove uma eficiente drenagem atravs de drenos internos e perimetrais, garantindo um escoamento de at 30m/h por cada dreno, totalizando 60m/h para cada caamba. O percolado drenado retornando para o sistema de tratamento local para reprocessamento ou reuso.


2.6 - Servios ecossistmicos


Uma infinidade de produtos e servios prestada pelos ecossistemas, gerando direta e indiretamente a perpetuao da vida e, sendo explorada pelos seres humanos (GJORUP et al., 2015). Irracionalmente, esta explorao ocorre de maneira insustentvel, priorizando um conceito abstrato de valor monetrio como tendo maior valia do que os servios e produtos concretos ofertados. Deste modo, os ecossistemas so cada vez mais explorados e degradados em consequncia do crescimento econmico global (MILLENNIUM ECOSYSTEM ASSESMENT, 2003).


Servios ecossistmicos so os servios prestados pelos ecossistemas naturais, juntamente com as espcies que os compem, promovendo a manuteno e preenchimento das condies de permanncia da vida humana no planeta (DAILY, 1997). Ainda, para melhor categorizar os servios ecossistmicos, Millennium Ecosystem Assesment (2003) os divide da seguinte forma:




2.7 - Valorao ambiental


Perante os servios ecossistmicos prestados, mantenedores da vida, observam-se valores atrelados que podem ser traduzidos como valores ambientais (RIBEIRO, 2009). Os valores ambientais procurando compor uma quantia monetria representativa da fauna, flora ou qualquer recurso ambiental, em termos de valores morais, ticos ou econmicos.


Desta maneira, mtodos de valorao econmica ambiental so utilizados, procurando quantificar em termos monetrios os impactos econmicos e sociais advindos de certa ao (PEARCE, 1993). Dentre os mtodos propostos na literatura existem os diretos e os indiretos, neste trabalho se aborda o uso de um mtodo indireto de valorao ambiental.


O mtodo indireto abordado o ?custo de reposio?, que avalia os custos atrelados na reposio da capacidade produtiva de um recurso natural que tenha sido degradado. Este custo composto por valores reais de mercado, representado pelo valor monetrio da reconstituio e/ou reposio da capacidade de produo do bem (PEARCE, 1993).


3 - Estudo de caso

3.1 - Estao de tratamento de gua abordada


Estao de tratamento de gua (ETA) do estado de So Paulo, com sistema de operao em ciclo completo, possuindo dois decantadores, quatro filtros de filtrao descendente e um tanque equalizador, gerando por ms 600m de lodo a 1,0% de teor de slidos por massa.


A ETA operava sistema de tratamento de lodo com centrfuga decanter, desaguando os 20m de lodo gerados diariamente e proporcionando torta com teor de slidos por massa inferiores a 16%. 


Em meados de 2020, o aterro outorgado, receptor da torta gerada, modificou suas regras de recebimento. As novas regras se mostraram mais restritivas, onde antes materiais sem gua livre eram recebidos, agora somente materiais com mais de 25% de teor de slidos por massa seriam recebidos.


Mediante as novas regras de recebimento, a ETA teve que procurar outra soluo de desaguamento, visando continuar sua operao e correta destinao do lodo gerado. Momento onde a tcnica de desaguamento em caambas especiais drenantes foi solicitado.


3.2 - Ensaios preliminares


Atravs de ensaios de polimerizao e ensaios de cone, a dosagem de trabalho para a soluo polimrica foi determinada com o auxlio da correlao descrita na Equao 1. 


(1)

Onde, PPM a dosagem de soluo polimrica em partes por milho (mg/l); o volume de soluo polimrica (l); a concentrao da soluo polimrica (mg/l); e o volume de lodo ensaiado (l).

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3.3 - Coleta e tratativa de dados


Mediante a cada ciclo de preenchimento dirio, valores de slidos totais (ST) foram coletados para o percolado nos primeiros e ltimos 5min de cada ciclo. Tambm, mediante o preenchimento dos refis, teor de slidos por massa foi amostrado da torta adensada.


De posse dos dados e suas mdias as eficincias de filtrao e desaguamento foram aferidas, de acordo com as seguintes equaes:


(2)


Onde: EF a Eficincia de filtrao (%); so os slidos totais iniciais (mg/l); e so os slidos totais no efluente aps a filtrao (mg/l).


(3)


Onde, ED a eficincia de desaguamento (%); a porcentagem de slidos inicial (%); e a porcentagem de slidos final do particulado slido retido no geotxtil (%).


3.4 - Economia ecolgica


Os servios ecossistmicos prestados pelo corpo hdrico de captao da gua bruto e recebimento de efluente (lodo ou tratado) so abordados. Os servios prestados so discutidos de acordo com a categorizao de regulao, proviso, cultural e suporte.

Ainda, valor ambiental por volume de gua bruta captada estudado, procurando mensurar seu valor atravs do mtodo indireto de custo de reposio.

Finalmente para a temtica, comparao emprica do sistema de desaguamento proposto com solues baseadas na natureza para o mesmo fim iniciada.


4 - Resultados e discusso

4.1 - Ensaios preliminares


Atravs dos ensaios preliminares, realizados com amostra de lodo extrada do tanque de equalizao, ensaios de polimerizao foram efetuados. Aps estes, ensaios de cone tambm foram feitos. Assim, possibilitando a definio do condicionante qumico, sua concentrao e dosagem e, tambm, da escolha do geotxtil para a confeco dos refis.


Atravs dos ensaios de polimerizao, polmero aninico de baixo peso molecular com dosagem de 70ppm e em concentrao de 1g/l foi definido. A Figura 4 apresenta o lodo puro e condicionado quimicamente em (a) e (b) respectivamente.


Finalmente, com os ensaios de cone, o geotxtil foi escolhido. Este promovendo rpida drenagem e reteno eficiente da fase slida. A Figura 4 apresenta o percolado inicial e final, resultante deste ensaio com o geotxtil escolhido, em (c) e (d) respectivamente.


(a)           (b)       (c)     (d)

FIGURA 4: Resultados de ensaios de polimerizao e cone.


A Tabela 1 apresenta os valores caractersticos (garantidos com 95% de eficincia) informados pelo fabricante para o geotxtil utilizado.

Tabela 1- Caracterizao dos geotxteis utilizados.



4.2 - Instalao do sistema de desaguamento


Duas caambas especiais drenantes foram mobilizadas para o desaguamento do lodo gerado na ETA, para trabalharem intercaladamente. Elas foram posicionadas ao lado do tanque de equalizao, onde por bombeamento receberam o lodo. A Figura 5 mostra o posicionamento das caambas.

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FIGURA 5: Locao do sistema de desaguamento com caambas especiais drenantes.


A prpria ETA j possua central polimrica, utilizada anteriormente para o condicionamento qumico do lodo para centrifugao, e agora aproveitada na nova tcnica utilizada.


De cada caamba, apenas uma sada de drenagem foi utilizada, determinando uma vazo mxima de sada de percolado de 30m/h por caamba. Os mangotes de percolado foram ligados em um sistema de recalque, onde a gua proveniente do desaguamento retorna para o incio do processo de tratamento da ETA.


A instalao foi rpida, sendo totalmente concluda em menos de 8h, demonstrando a facilidade de uso desta tcnica de desaguamento. A instalao contempla a mobilizao/viagem das caambas, refis e componentes at a destinao de servio, seguida do posicionamento das caambas, fixao da georrede com sistema de drenagem e locao dos refis. Aps os componentes estarem em posio na ETA, mangotes de preenchimento e drenagem so fixados com o auxlio de engates rpido, para ento ser realizado enchimento teste com a dosagem de condicionante qumico ensaiado.


A dosagem de condicionante qumico crucial, representando o sucesso do desaguamento. Na fase de teste de enchimento sua dosagem cuidadosamente avaliada, sendo retirada amostra de lodo condicionado aps a mistura por chicana. Em caso de dosagem insuficiente o particulado slido pode colmatar o geotxtil, j no caso de dosagem exagerada, a viscosidade do lodo condicionado cegar o geotxtil. Em ambos os casos ocorrer a reteno de umidade, prejudicando o desaguamento.


4.3 - Ciclos de preenchimento e desgue


O desaguamento do lodo gerado pela ETA foi efetuado atravs do bombeamento dirio de 20m de lodo condicionado quimicamente para o interior das caambas. Onde uma caamba receberia ciclos de enchimento dirios consecutivos at seu enchimento completo, momento em que a segunda caamba comearia a receber seus ciclos e a primeira ficaria em descanso.


A vazo de preenchimento foi definida em 2m/h, resultando em ciclos de enchimento dirios de 10h, seguidos por perodos de descanso de 14h. Com a vazo de lodo fixada, a vazo de injeo de soluo polimrica pode ser calculada atravs da Equao 1, resultando em 0,14m/h. Mediante a operao cada refil foi capaz de trabalhar por 14 dias consecutivos, conforme grfico da Figura 6.


FIGURA 6: Ciclos de enchimento e desgue para os refis geotxteis.


Diariamente foram coletados dados de slidos totais no percolado, compondo valores nos primeiros 5min de enchimento (STf0) e ltimos 5min de enchimento (STf1). Estes valores so apresentados na Tabela 2.


Tabela 2 ? Dados do Lodo e Percolado.


Aps a finalizao dos ciclos de enchimento, teor de slidos por massa (TSm) foi aferido nos dias 1 e 10 de descanso, atravs de rupturas nas extremidades do refil para coleta de amostras. A Tabela 3 apresenta estes resultados, parmetros iniciais do lodo e mdia para os valores de slidos totais obtidos.


Tabela 3 ? Resultados do desaguamento.


Mediante a obteno de resultado de teor de slidos por massa satisfatrio no 10 dia de descanso, a caamba com material desaguado foi mobilizada para destinao final no aterro sanitrio outorgado. Uma vez o material corretamente destinado, a caamba foi novamente locada na ETA, recebendo novo refil geotxtil e ficando pronta para novos ciclos de desaguamento.


Atravs da anlise dos dados obtidos para os slidos totais no inicio e no fim do processo de enchimento dirio foi possvel perceber a formao do filter cake. Onde observa-se que a eficincia de filtrao inicial (tempo 0h5min) inferior a eficincia de filtrao final (tempo 9h55min). A Figura 7 apresenta as curvas de EF 0 e EF 1, representando respectivamente os valores obtidos para as eficincias de filtrao nos primeiros 5 minutos de enchimento e nos ltimos 5 minutos de enchimento respectivamente.


Ressalta-se que o operador iniciava o bombeamento de enchimento com lodo condicionado quimicamente para depois coletar a amostra de percolado inicial, momento em que o pr-filtro poderia estar se formando ou j ter se formado.


FIGURA 7: Ciclos de enchimento e desgue para os refis geotxteis.


Finalmente, com os dados da Tabela 4 e Equaes 2 e 3, consegue-se calcular as eficincias de filtrao e desaguamento. Estas apresentadas na Tabela 4.


Tabela 4 ? Eficincias de filtrao e desaguamento.



De posse destas eficincias possvel perceber que a filtrao foi satisfatria, retendo 93,19% da fase slida no interior do tubo geotxtil e, que o volume adensado sofreu drstica reduo atravs da perda de umidade, representando um aumento no teor de slidos de mais de 2000% no 1 dia de descanso e mais de 2700% no 10.


4.4 - Economia ecolgica


Em termos de servios ecossistmicos observa-se a necessidade de restrio em sua abrangncia, visto que um corpo hdrico tem servios diretos e indiretos imensurveis, contemplando as categorizaes de proviso, cultura e suporte, impactando de infinitas maneiras a regio onde est localizado e alm. Desta forma, o foco do servio prestado ser unicamente a capacidade de prover gua bruta para a captao da ETA.


A ETA em questo est locada prxima a este corpo hdrico, provedor do afluente para o funcionamento da estao, caracterizado pela gua bruta captada e que dever ser tratada para se tornar gua tratada. Durante o processo de tratamento poluentes so gerados na forma de efluente, este denominado de lodo, que pode ser despejado no corpo hdrico prximo ou receber tratamento prvio.


Caso o lodo gerado seja destinado sem tratamento para o corpo hdrico, implicar em danos a fauna e a flora, proporcionando envenenamento e contaminao por Sulfato de Alumnio, ainda, devido a sua fase slida, assoreamento prximo a localidade da ETA.


Caso o lodo seja previamente tratado, desaguado em sistema adequado, a fase slida juntamente com contaminantes e impurezas fica encapsulada no interior do refil geotxtil. Este material destinado para aterro sanitrio, enquanto a gua filtrada retorna para o corpo hdrico.


A Figura 8 apresenta o comparativo entre o lodo sem tratamento e com tratamento.


????????Uma imagem contendo gua, mesa, pssaro, cortando

Descrio gerada automaticamente

a) b)

FIGURA 8: a) Lodo sem tratamento; b) Percolado resultante do tratamento do lodo (SALUS).


Mediante a despejos consecutivos de lodo sem tratamento no corpo hdrico se atingiria um cenrio de assoreamento na regio prxima a ETA, impactando em sua capacidade de captao de gua bruta. Medida corretiva desta situao seria a dragagem do material assoreado. De acordo com consulta a prestador de servio da rea, os custos atuais praticados pelo mercado para o m dragado de aproximadamente R$ 300,00, este representando a valorao ambiental para a capacidade de prover gua bruta para a estao de tratamento.


Em contra partida, de acordo com consulta a prestador de servios de desaguamento, o valor do mesmo m de lodo tratado fica em R$ 16,21, validando uma vez mais o uso da tcnica.


Observa-se ainda a dificuldade em comparar a tcnica de desaguamento apresentada com uma tcnica natural correspondente, visto que a fase slida retida concentrada na ETA e por isso representa um problema. Deste modo, percebe-se que o particulado slido em suspeno carreado pelo corpo hdrico, advindo da rea que o alimenta e mantm e, que desta forma no representa problema, estando diluda.


5 - Concluses


De maneira geral, percebe-se que o uso da tcnica de desaguamento com refil geotxtil em bero mvel interessante. Onde no existe a necessidade de grandes intervenes para a utilizao da tcnica, esta sendo rapidamente instalada e podendo ser prontamente utilizada.


Ressalta-se a importncia de ensaios preliminares de polimerizao e cone. Estes responsveis pela aferio da escolha do condicionante qumico e geossinttico pertinentes para o desaguamento pretendido, viabilizando uma operao bem sucedida.


Observa-se que duas caambas especiais drenantes com refis geotxteis foram necessrias mensalmente para a gerao de lodo da ETA estudada, onde 20m de lodo com 1% de teor de slidos por massa so gerados diariamente. Neste sentido, caso maior volume fosse gerado pela ETA, bastaria a adio de mais caambas, aumentando a capacidade de desaguamento do sistema.


Atravs dos resultados de teores de slidos por massa alcanados, a tcnica em bero mvel foi satisfatria, destinando corretamente o material adensado para o aterro outorgado. Percebe-se que isto no foi possvel com a tcnica de centrifugao, onde o material desaguado ainda era bastante mido e fora dos padres de recebimento do aterro outorgado.


As eficincias de filtrao e desaguamento demonstram ainda mais a efetividade da tcnica de desaguamento em bero mvel, onde a fase slida foi retida com 93,19% de eficincia de filtrao mdia e o aumento do teor de slidos ocorreu com 2794,90% de eficincia.


Ressalta-se que a qualidade do percolado permitiu seu reprocessamento no sistema de tratamento da ETA. Onde cerca de 96% do volume do lodo produzido foi reaproveitado e destinado ao incio do processo de tratamento.


Observa-se tambm a importncia do desaguamento do lodo, protegendo o corpo hdrico receptor, mantendo a operao de seus servios ecossistmicos e evitando a necessidade de gastos com o valor ambiental atribudo a capacidade de prover gua bruta a ETA para tratamento.


Por fim, indica-se que o custo referente ao correto tratamento do lodo, contemplando seu correto desaguamento, equivalente a menos de 6% do custo com remediao advinda de assoreamento do corpo hdrico receptor.


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